Serra da Mantiqueira, São Paulo

Cultura

Congada de São Benedito: a tradição do 13 de maio no bairro do Quilombo

Por João Vitor CarmassiPublicado em Atualizado em 7 min de leitura

Informação conferida em . Confirme antes de ir.

Fachada azul e branca da Igreja Matriz de São Bento, no centro de São Bento do Sapucaí

A Congada de São Benedito é uma manifestação cultural de São Bento do Sapucaí mantida por uma família do bairro do Quilombo. Conhecida na cidade como Congada da Dona Luzia, ela carrega uma tradição passada por várias gerações de descendentes de pessoas escravizadas. Para quem visita, entender essa história muda a forma de assistir: não se trata de um show montado para turista, e sim de uma tradição familiar e comunitária que se abre para quem chega com interesse e respeito.

O que é a Congada de São Benedito

A Congada é uma manifestação de fé e de memória. Em São Bento do Sapucaí, o grupo homenageia São Benedito, santo que a tradição popular considera padroeiro dos escravos. Nas letras, nos ritmos, nos instrumentos e nas roupas, a Congada guarda as histórias de um povo batalhador e determinado, como descreve a Prefeitura em sua página sobre o bairro do Quilombo.

Uma das músicas citadas pela Prefeitura, recitada pela Congada, é o "Canto do Ofertório", cuja letra fala de fé, da luta contra o racismo e das quilombolas, e termina dizendo que a festa é da comunidade. É um bom exemplo de como o grupo usa o canto para guardar a história do bairro.

Dona Luzia e a tradição passada entre gerações

O apelido do grupo vem de Luzia Maria da Cruz, a Dona Luzia, que a Prefeitura apresenta como a matriarca do Quilombo. Ela aprendeu as características da Congada ainda menina, com a avó, e com os anos formou o grupo que homenageia São Benedito. O texto da Prefeitura registra a mesma origem com outra formulação: foi Dona Luzia quem trouxe a Congada para o bairro, aprendida com os avós, que foram escravizados.

A reportagem do projeto Guia Maria Firmina, de maio de 2018, dá mais detalhes: a Congada começou com a avó materna, Silvéria, no Bairro dos Martins, em Paraisópolis (MG), e perdeu força depois da morte dela. Já morando no Quilombo, Dona Luzia decidiu retomar o cortejo com as crianças do bairro, cerca de trinta anos antes daquela reportagem.

A transmissão dentro da família sempre foi o centro dessa história. Em depoimento publicado pela Prefeitura, Dona Luzia resumiu assim: "Ensinei a Congada aos meus filhos e hoje passo aos meus netos". O blog Viagens e Rotas, em reportagem de abril de 2021, informou que ela já havia falecido e que as músicas, as danças, os trajes e os ensinamentos ficaram com filhos, genros, noras e netos. O material oficial de turismo da cidade também a identifica como In Memoriam.

Na cidade, o nome dela está presente em outro endereço: o Centro Cultural Municipal Luzia Maria da Cruz, na Rua Alferes Pedrosa, espaço usado para teatro, concertos e eventos culturais.

A Festa do 13 de Maio: Quilombo e Igreja Matriz

O 13 de maio é a data em que o bairro celebra a libertação dos escravos. Segundo o Viagens e Rotas, é tradição a Congada se apresentar nesse dia no bairro do Quilombo, onde vive a família de Dona Luzia.

A comemoração vai além da apresentação. A família organiza uma grande festa com a ajuda de outros moradores e colaboradores, com almoço e Congada. A Prefeitura descreve a Festa do 13 de Maio como uma celebração da libertação dos escravos que, por iniciativa de Dona Luzia, oferecia almoço farto e gratuito para moradores e visitantes.

A reportagem de 2018 do Guia Maria Firmina descreve como era o dia naquela época:

  1. Manhã no Quilombo: café da manhã para os grupos convidados, com congadas, moçambique e maracatu de outras cidades.
  2. Missa no centro: a Congada desce até a Igreja Matriz de São Bento, no centro da cidade, para a celebração da missa. Nas edições anteriores àquela reportagem, a igreja lotou e parte do público acompanhou do lado de fora.
  3. Almoço e cortejos: de volta, almoço feito com doações recebidas cerca de um mês antes e, depois, os cortejos da Congada anfitriã e dos grupos convidados.

As páginas oficiais consultadas não têm data e a reportagem é de quando Dona Luzia ainda estava à frente, então o formato atual da festa pode ser outro. Dois pontos práticos para quem pensa em ir:

  • A festa é comunitária. Não há, nas fontes consultadas, informação sobre inscrição, ingresso ou programação fixa. Por isso, a confirmação de data e horário do ano deve ser feita com a Secretaria de Turismo antes da viagem.
  • O 13 de maio de 2026 já passou. Até a data desta publicação, as fontes oficiais consultadas não traziam programação para 2027. Quando houver confirmação, o calendário de festas da cidade fica reunido na página de eventos. Fora do 13 de maio, o grupo também se apresenta em outras festas: em julho de 2026, esteve na programação do Festival de Inverno.

Roupas, instrumentos e cantoria

Quem assiste à Congada pela primeira vez costuma notar primeiro o visual. Os trajes são enfeitados com muitas fitas coloridas, e os instrumentos são os típicos da Congada. A Prefeitura detalha os materiais dos trajes: chita, renda, malha, estopa, turbantes, faixas, chapéus e flores. Em 2018, o Guia Maria Firmina listava pandeiro, sanfona, violão e caixas na parte instrumental e cerca de 40 integrantes, que se revezavam nas apresentações.

O som é de batuque, com cantoria puxada pela matriarca e pelas filhas, e o grupo costuma agregar outras pessoas durante a apresentação. A reportagem do Viagens e Rotas, de 2021, observou que as músicas e danças são fáceis de aprender e que o público consegue cantar junto com o grupo.

Onde a Congada se apresenta

Além do 13 de maio, a Congada se apresenta em outras festividades para as quais é convidada. As fontes oficiais citam:

  • festas do município;
  • festas regionais;
  • feiras e exposições que valorizam as manifestações culturais do Estado de São Paulo;
  • o Revelando São Paulo.

Em 2021, o Viagens e Rotas informou que em alguns sábados era possível assistir a apresentações e recomendou pesquisar antes as datas. Como essa informação tem alguns anos, trate-a como indicação de que vale perguntar, e não como agenda.

Se a visita não coincidir com uma apresentação, o bairro continua valendo o passeio, com igreja de 1805, ateliês e museu. Como chegar e o que ver estão no post sobre o bairro do Quilombo.

Como acompanhar e assistir com respeito

A Congada é uma tradição religiosa e familiar mantida por moradores. Algumas atitudes simples fazem diferença:

  1. Confirme antes de ir. O contato para isso é a Secretaria de Turismo, na Praça da Bandeira, 210, no Centro, telefone (12) 3971-2496.
  2. Entenda o motivo da festa. O 13 de maio celebra a libertação dos escravos e a história do bairro. Chegar sabendo disso ajuda a entender o peso de cada canto.
  3. Peça licença para fotografar de perto. Os integrantes são uma família e moradores da comunidade, e não artistas contratados.
  4. Na missa, discrição. Se a programação do ano repetir a ida à Matriz, lembre que é celebração religiosa em igreja cheia.
  5. Participe quando for convidado. O grupo costuma agregar pessoas e cantar junto é bem-vindo, mas o ritmo da festa é de quem a organiza.
  6. Valorize o bairro. Comprar artesanato no Arte no Quilombo ou no Ateliê Ditinho Joana é uma forma direta de apoiar a comunidade que mantém a tradição.

Lugares citados

Os lugares deste texto, com endereço, horário e rota de carro.

Fachada de tijolo e madeira do Arte no Quilombo, com telhado de telha, bananeiras na entrada e o morro ao fundo

Compras

Arte no Quilombo

Mais de 80 artesãos do bairro do Quilombo trançando palha de bananeira e de milho, com balcão de venda e oficina.

Fachada do Ateliê Ditinho Joana, casa de madeira avermelhada com varanda, placa entalhada e muro de tijolo

Compras

Ateliê Ditinho Joana

O ateliê do escultor que achou uma raiz com forma de bicho em 1974 e nunca mais parou. Vende no próprio balcão.

Perguntas frequentes

Quando e onde a Congada de São Benedito se apresenta?

A data tradicional é 13 de maio, no bairro do Quilombo, onde vive a família de Dona Luzia. Segundo reportagem de 2018 do Guia Maria Firmina, nesse dia a Congada desce até a Igreja Matriz de São Bento, no centro, para a missa. Fora da data, o grupo se apresenta quando é convidado.

Precisa pagar para participar da Festa do 13 de Maio?

A página da Prefeitura, escrita quando Dona Luzia ainda estava à frente, descreve um almoço gratuito para moradores e visitantes. Como a organização é da família e da comunidade, confirme a programação do ano com a Secretaria de Turismo.

Por que ela é chamada de Congada da Dona Luzia?

Porque teve à frente Luzia Maria da Cruz, a Dona Luzia, matriarca da família e do bairro, que aprendeu a tradição na infância e a ensinou a filhos e netos. Ela já faleceu, e a família mantém a Congada.

Como saber se haverá apresentação durante a minha viagem?

Consulte a Secretaria de Turismo de São Bento do Sapucaí, na Praça da Bandeira, 210, no Centro, pelo telefone (12) 3971-2496.

Fontes

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