Serra da Mantiqueira, São Paulo

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Turismo rural em São Bento do Sapucaí: o que os programas estaduais de 2026 mudam

Por João Vitor CarmassiPublicado em 7 min de leitura

Informação conferida em . Confirme antes de ir.

Fachada de tijolos do Arte no Quilombo, cercada de bananeiras, no bairro rural do Quilombo em São Bento do Sapucaí

O turismo rural em São Bento do Sapucaí ganhou duas referências estaduais em 2026. Em março, o Governo de São Paulo lançou a segunda edição das Rotas do Vinho, com a cidade dentro da rota Alto da Mantiqueira. Em abril, um decreto criou o Programa de Desenvolvimento do Turismo Rural, com objetivos e ações voltados a produtores, propriedades rurais e municípios. A seguir, o que cada iniciativa estabelece, onde a cidade aparece nelas e a quem o produtor local pode recorrer.

O Programa de Desenvolvimento do Turismo Rural de 2026

O Decreto nº 70.500, de 1º de abril de 2026, institui o programa junto à Secretaria de Turismo e Viagens, que coordena as ações. O texto entrou em vigor na data da publicação.

A definição adotada é o ponto de partida para entender o alcance: turismo rural, para o decreto, são as atividades feitas no meio rural que mantêm compromisso com a produção agropecuária e com a valorização do patrimônio cultural, ambiental e gastronômico. Ou seja, a atividade turística aparece ligada à vida produtiva do campo, e não apenas localizada nele.

Além da pasta de Turismo, o decreto envolve as secretarias de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística; Transportes Metropolitanos; Agricultura e Abastecimento; Desenvolvimento Econômico; e Cultura, Economia e Indústria Criativas, mais a InvestSP e o DER.

Objetivos, ações e beneficiários do decreto

Os quatro objetivos

O programa tem quatro objetivos declarados:

  • fomentar o turismo rural como instrumento de valorização cultural, geração de emprego e renda e desenvolvimento sustentável no campo;
  • integrar atividades agrícolas e turísticas com a conservação de florestas nativas e o apoio à produção florestal;
  • apoiar pequenos produtores rurais e a agroindústria na diversificação de atividades, com capacitação, crédito e inovação;
  • incluir processos de restauração de paisagens e ecossistemas entre os atrativos do turismo rural.

As ações previstas

O decreto lista dez linhas de ação. As que mais interessam a um município como São Bento do Sapucaí são:

  • estudos para mapear a oferta de turismo rural no Estado;
  • capacitação e formação de mão de obra;
  • incentivo à criação de rotas e roteiros turísticos;
  • fomento ao crédito rural, com menção ao Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) e ao CrediturSP;
  • fortalecimento do associativismo, do cooperativismo e das cadeias produtivas locais;
  • apoio à regularização ambiental e sanitária das propriedades;
  • melhoria de infraestrutura, acessibilidade, mobilidade e conectividade.

O programa também deve se articular com o SP Produz, instituído pelo Decreto nº 68.648/2024.

Quem pode ser beneficiado e como o Estado executa

São beneficiários as propriedades, atrativos e serviços que atendam aos critérios de turismo rural sustentável; produtores e empreendedores rurais, com ênfase na agricultura familiar; e municípios, instituições de ensino e pesquisa e entidades sem fins lucrativos que atuem no setor.

Para executar o programa, a Secretaria de Turismo e Viagens pode firmar convênios com municípios e parcerias com organizações da sociedade civil sem fins lucrativos. As parcerias seguem o Decreto estadual nº 61.981/2016, e as despesas saem do orçamento dos órgãos participantes. O acompanhamento cabe a duas instâncias: o Fórum Estadual de Fomento ao Turismo Rural e a Câmara Setorial de Turismo Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Pelo desenho do texto, o programa chega ao campo por meio de convênios com prefeituras e parcerias com entidades organizadas, o que dá peso ao trabalho local descrito mais abaixo.

Rotas do Vinho de SP: a rota Alto da Mantiqueira

Poucos dias antes do decreto, em 26 de março de 2026, o Governo de São Paulo lançou a segunda edição das Rotas do Vinho. O programa reúne 87 atrativos ligados a experiências em vinícolas, espalhados por 38 municípios, com 22 enodestinos e cinco rotas regionais: Alta Mogiana, Mantiqueira, Bandeirantes, Circuito das Frutas e Serra dos Encontros.

Na cobertura regional, a rota da serra aparece como Alto da Mantiqueira e junta Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí, com cinco vinícolas no total. Três delas ficam em São Bento do Sapucaí: Vinícola Entre Vilas, Vinícola Raízes do Baú e Vinícola Villa Santa Maria. As outras duas são a Vinícola Ferreira, em Campos do Jordão, e o Espaço Essenza Vinícola Boutique, em Santo Antônio do Pinhal. A lista registra quem integra a rota oficial; horários, agendamento e condições de visita devem ser confirmados diretamente com cada propriedade.

Para a cidade, a presença de três das cinco vinícolas da rota mostra que a produção rural local já está inserida em um produto turístico estadual, que é justamente o tipo de roteiro que o decreto de abril se propõe a incentivar.

O que os números do programa mostram

Os dados divulgados no lançamento são do Centro de Inteligência da Economia do Turismo e tratam das vinícolas do programa em conjunto, sem recorte por rota:

  • 82% das vinícolas registraram aumento no número de visitantes;
  • o crescimento médio do fluxo foi de 27%;
  • o gasto médio foi de R$ 204 por visitante;
  • 92% investiram ou planejam investir em infraestrutura;
  • 67,9% ampliaram as equipes;
  • 96% criaram novas experiências para o público.

Os números não trazem recorte por município, então não é possível dizer quanto desse resultado ocorreu em São Bento do Sapucaí. O que eles indicam é a direção do efeito: quando a propriedade entra em uma rota organizada, a tendência relatada é receber mais gente, contratar e diversificar o que oferece. Segundo a cobertura do Meon, o então secretário estadual de Turismo e Viagens, Roberto de Lucena, associou o reconhecimento dos vinhos paulistas a políticas públicas e à parceria entre governo, produtores e setor turístico. Lucena já não está no cargo: a secretária de Turismo e Viagens hoje é Ana Biselli Aidar, segundo a página de autoridades da secretaria.

O turismo rural na secretaria municipal

A Secretaria de Turismo, Cultura e Desenvolvimento Econômico é comandada por uma secretária que, segundo a página oficial, trabalha desde 2003 em parceria com o Sindicato Rural e com a FAESP/SENAR no fortalecimento do turismo rural são-bentista e é instrutora do Programa de Turismo Rural do SENAR/SP desde 2001.

Além da política de turismo e do centro de informação ao turista, a mesma secretaria reúne a Sala do Empreendedor, o Posto Sebrae Aqui e o Banco do Povo. Para um produtor que pensa em abrir a porteira para visitantes, isso concentra num só lugar a orientação turística e o atendimento ao pequeno negócio.

O visitante já percebe esse lado rural no mapa. O Arte no Quilombo, no bairro do Quilombo, reúne mais de 80 artesãos que trabalham com palha de bananeira e de milho, bambu, madeira, barro e tecido, um exemplo de produção organizada fora do centro; o que mais há no bairro está no post sobre o Quilombo.

Um exemplo local de turismo ligado à produção familiar é o bairro do Cantagalo, onde famílias recebem visitantes num projeto de turismo rural comunitário feito com a Prefeitura e o Senar-SP. A produção que abre a porteira aparece também nos posts sobre queijo artesanal e cogumelos. Quem quer conhecer os bairros do entorno da Pedra do Baú pode usar o roteiro de um dia no Vale do Baú e filtrar os pontos no mapa interativo.

Onde o produtor busca orientação

O primeiro contato para quem tem propriedade ou negócio rural na cidade é a secretaria municipal:

  • Telefone: (12) 3971-2496
  • E-mail: turismo@saobentodosapucai.sp.gov.br
  • Atendimento: segunda a sexta, das 8h às 17h
  • Endereço informado na página da secretaria: Rua Dr. Gama Rodrigues, 71, Centro. Vale confirmar por telefone antes de ir.

Na conversa, ajuda levar perguntas ligadas ao que o decreto prevê: se há capacitação em andamento com o Sindicato Rural e o SENAR, se o município pretende firmar convênio dentro do programa estadual, e como acessar linhas de crédito rural como as do FEAP. Como o decreto opera por convênios com municípios e parcerias com entidades sem fins lucrativos, estar ligado a uma associação ou cooperativa também aproxima o produtor das ações do Estado.

Lugares citados

Os lugares deste texto, com endereço, horário e rota de carro.

Fachada de tijolo e madeira do Arte no Quilombo, com telhado de telha, bananeiras na entrada e o morro ao fundo

Compras

Arte no Quilombo

Mais de 80 artesãos do bairro do Quilombo trançando palha de bananeira e de milho, com balcão de venda e oficina.

Perguntas frequentes

Qual decreto criou o Programa de Desenvolvimento do Turismo Rural em São Paulo?

O Decreto estadual nº 70.500, de 1º de abril de 2026, que institui o programa junto à Secretaria de Turismo e Viagens e entrou em vigor na data da publicação.

Quem pode ser beneficiado pelo programa estadual de turismo rural?

O decreto cita propriedades rurais, atrativos e serviços que atendam aos critérios de turismo rural sustentável; produtores e empreendedores rurais, especialmente da agricultura familiar; e municípios, instituições de ensino e pesquisa e entidades sem fins lucrativos que atuem no setor.

Quais vinícolas de São Bento do Sapucaí estão na rota Alto da Mantiqueira?

Segundo a cobertura do lançamento da 2ª edição das Rotas do Vinho de São Paulo, em março de 2026, a cidade tem três integrantes na rota: Vinícola Entre Vilas, Vinícola Raízes do Baú e Vinícola Villa Santa Maria.

Onde o produtor rural de São Bento do Sapucaí busca orientação sobre turismo?

Na Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Desenvolvimento Econômico, que atende pelo telefone (12) 3971-2496 e pelo e-mail turismo@saobentodosapucai.sp.gov.br, de segunda a sexta, das 8h às 17h.

Fontes

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