Serra da Mantiqueira, São Paulo

Natureza

Voo duplo de parapente em São Bento do Sapucaí: como funciona e o que checar

Por João Vitor CarmassiPublicado em Atualizado em 7 min de leitura

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Rampa de voo livre no Mirante do Caramuru, no Monumento Natural da Pedra do Baú

O voo duplo de parapente em São Bento do Sapucaí sai da rampa do Monumento Natural (MONA) da Pedra do Baú, e nele você voa como passageiro de um piloto, sem precisar pilotar. Antes de fechar qualquer data, vale entender quatro pontos que costumam gerar dúvida: quanto tempo o programa leva, em que época o vento ajuda, o que a taxa do parque cobre e o que a ANAC diz (e não diz) sobre quem leva passageiro.

Como funciona o voo duplo a partir da rampa do Baú

Segundo o roteiro de Esportes e Aventura da Prefeitura, o voo duplo começa na rampa próxima ao Bauzinho, dentro do MONA Pedra do Baú, e passa sobre os atrativos naturais da região. A rampa fica no Mirante do Caramuru, poucos metros depois do estacionamento do parque, de acordo com a página de turismo do município. Como chegar, horário e dados práticos do mirante estão na ficha da rampa de voo livre.

A altitude da decolagem aparece com números diferentes conforme a fonte. A ficha da Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL) e a Academia do Voo registram 1.810 m, com 890 m de desnível. O roteiro da Prefeitura fala em cerca de 1.650 m.

A decolagem é natural, com espaço para mais de uma decolagem ao mesmo tempo, e o uso da rampa fica sob responsabilidade do Clube Pedra do Baú de Voo Livre (CPBVL). A CBVL descreve voos em térmica e em ascendência de encosta, com possibilidade de voos de distância, e faz uma ressalva: é um voo de vale, que pede atenção à intensidade do vento. A Academia do Voo acrescenta que a rampa exige um pouco mais de experiência do piloto em alguns horários de atividade térmica e por causa do pouso restrito.

O que isso significa para o passageiro

Você não precisa saber voar, mas a escolha do piloto pesa. Uma rampa que pede atenção ao vento e mais experiência em certos horários é justamente o lugar onde o histórico de quem leva passageiro faz diferença. Também é por isso que a página de turismo do município orienta consultar o instrutor sobre a possibilidade de voo antes de agendar: a atividade depende do clima e do vento.

Quanto tempo dura e o que está incluído na conta

O voo em si dura cerca de 30 minutos, segundo a Prefeitura. O programa inteiro é mais longo, porque inclui chegar ao Monumento Natural, passar pela portaria, subir até o mirante e esperar a condição certa para decolar. Como a atividade depende do clima e do vento, o voo pode não sair na hora prevista. Deixe folga no dia e evite encaixar o voo entre compromissos com hora marcada.

Na conta entram, em geral, dois valores de origens diferentes:

  • Taxa do parque: cobrada pelo MONA na entrada, por pessoa, e não tem relação com o voo.
  • Valor do voo: combinado diretamente com quem presta o serviço.

Ao pedir orçamento, pergunte o que está e o que não está incluído: a taxa do parque, o retorno do local de pouso até o ponto de partida e o que acontece com a reserva se o voo não sair por causa do tempo. A Academia do Voo classifica o pouso dessa rampa como restrito, então entender onde você vai descer e como volta faz parte do planejamento.

Melhor época: os ventos de inverno e primavera

O roteiro da Prefeitura explica que a rampa atrai pilotos de asa-delta e parapente de todo o país em busca dos ventos noroeste que sopram na região no inverno e na primavera. A ficha da CBVL aponta junho a dezembro como a melhor época e lista os quadrantes de vento noroeste, norte e nordeste.

Isso indica a temporada mais favorável, mas não garante voo em um dia específico. Mesmo no período bom, quem decide se dá para decolar é o piloto, com base na condição do momento. Duas dicas práticas:

  • Se a viagem tem datas fixas, reserve mais de um dia possível para o voo.
  • Consulte o instrutor sobre a possibilidade de voo antes de agendar, como orienta a página de turismo do município, e volte a confirmar perto da data.

O horário do parque também limita o planejamento, principalmente no fim da tarde. Os horários de entrada e de permanência estão no post sobre as áreas protegidas e o MONA.

Quem regula o voo livre no Brasil

Em agosto de 2023, a CBVL publicou o conteúdo de uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) em conjunto com a ANAC sobre segurança no voo livre. Os pontos principais do texto:

  • A atividade segue o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil RBAC 103. Não se exige habilitação de piloto emitida pela ANAC, mas o operador precisa da certidão de cadastro de aerodesportista, e para obtê-la é preciso comprovar conhecimentos mínimos das regras de operação e de uso do espaço aéreo.
  • Os voos desportivos ocorrem por conta e risco do operador.
  • Só é permitido voar nos espaços designados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), e é proibido sobrevoar áreas densamente povoadas ou aglomerações de pessoas.
  • A exploração comercial sem autorização é proibida. A instrução remunerada, porém, é lícita, e o texto diz que essa atividade "não é regulamentada pela ANAC". Por isso, a agência afirma que não tem como garantir a segurança de quem participa dela.
  • A agência recomenda que os interessados procurem associações reconhecidas no mercado para selecionar instrutores qualificados.
  • Irregularidades podem ser denunciadas pelo canal Fale com a ANAC.

Na prática, o texto não traz regras específicas para o voo duplo com passageiro. Como a própria agência diz não regular a instrução, boa parte da checagem sobre quem vai levar você fica por sua conta.

O que checar antes de contratar o piloto

Use a lista abaixo como roteiro de conversa. Um piloto sério responde a todas as perguntas sem rodeio.

  1. Cadastro na ANAC: peça para ver a certidão de cadastro de aerodesportista, o documento citado na recomendação.
  2. Vínculo com associação: pergunte a qual clube ou associação o piloto é ligado. A recomendação da ANAC é justamente buscar instrutores por meio de associações reconhecidas. Na rampa do Baú, o clube responsável é o CPBVL.
  3. Experiência nesta rampa: pergunte há quanto tempo voa na Pedra do Baú e em que horários costuma levar passageiros, já que a própria descrição da rampa fala em horários de térmica mais exigentes.
  4. Critério para cancelar: entenda como a decisão de voar ou não é tomada e o que acontece com o valor pago se o tempo não ajudar.
  5. Pouso e retorno: pergunte onde é o pouso e como você volta até o carro.
  6. O que está no preço: confirme se a taxa do parque está incluída ou se você paga na portaria.
  7. Orientação antes da decolagem: peça que o piloto explique como será a corrida de decolagem e o que você deve fazer no pouso.

Desconfie de quem pressiona para voar com vento duvidoso ou não consegue mostrar a documentação básica.

Taxa do parque e regras do Monumento Natural

A entrada no MONA é paga com a Taxa de Preservação e Conservação Ambiental (TPCA), de R$ 18 por pessoa, cobrada na portaria e separada do valor do voo. Segundo a página do Bauzinho no MONA, o morador do município só fica isento se apresentar a Carteirinha de Morador emitida pela Secretaria de Meio Ambiente; as outras isenções e a forma de pagamento estão no post sobre as áreas protegidas e o MONA.

Um detalhe da mesma página interessa a quem voa: a maioria dos visitantes deixa o carro no estacionamento e caminha cerca de 30 minutos, mas veículos de agências podem subir quando precisam levar equipamento para prática esportiva, com agendamento prévio e autorização do gestor. Pergunte a quem vai organizar o seu voo se isso está combinado.

A portaria está marcada no mapa. Se o vento atrasar a decolagem, a subida ao Bauzinho é uma forma de aproveitar a espera. E se o voo ficar para o fim do dia, o post sobre onde ver o pôr do sol mostra o que o horário do parque permite. Para o resto do complexo, como a trilha e a via ferrata do cume principal, consulte a página da Pedra do Baú.

Lugares citados

Os lugares deste texto, com endereço, horário e rota de carro.

Pedra do Baú vista do alto do Bauzinho, com o vale e o casario ao fundo

Aventura

Pedra do Bauzinho

A 1.760 m, é a trilha mais acessível do complexo, e não exige agendamento.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura o voo duplo de parapente em São Bento do Sapucaí?

O roteiro de Esportes e Aventura da Prefeitura informa que o voo dura cerca de 30 minutos, com saída da rampa próxima ao Bauzinho, no Monumento Natural da Pedra do Baú.

Qual a melhor época para voar na Pedra do Baú?

A Prefeitura cita os ventos noroeste do inverno e da primavera, e a ficha da rampa na CBVL indica junho a dezembro como melhor época. Mesmo assim, o voo depende do vento do dia e deve ser confirmado com o instrutor.

A taxa do Monumento Natural paga o voo?

Não. A taxa de R$ 18 por pessoa é a Taxa de Preservação e Conservação Ambiental (TPCA), cobrada na entrada do Monumento Natural para a preservação da unidade. O voo é contratado à parte, então vale confirmar com o piloto se a taxa está ou não no valor combinado.

A ANAC regulamenta os instrutores de parapente?

Não. Segundo a recomendação do MPF e da ANAC divulgada pela CBVL em 5 de agosto de 2023, a instrução remunerada é lícita, mas não é regulamentada pela ANAC, que recomenda procurar associações reconhecidas no mercado para escolher instrutores qualificados.

Fontes

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