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Zé Pereira: a família de bonecões que anuncia o carnaval de São Bento do Sapucaí

Por João Vitor CarmassiPublicado em Atualizado em 8 min de leitura

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Praça Monsenhor Pedro em dia de céu azul, com a árvore central, o banco circular e os quiosques em volta

Em São Bento do Sapucaí, o carnaval não começa no primeiro dia de festa. Ele começa cerca de um mês antes, quando um boneco de cartola e bigode sai pelas ruas do centro puxando a banda, as crianças e quem mais estiver por perto. É o Zé Pereira, que a Prefeitura chama de a maior manifestação cultural do município e resume num lema: "São Bento do Sapucaí sem Zé Pereira, não é São Bento!". Este post é sobre ele, a família de bonecões que cresceu à sua volta e como ver essa tradição de perto. Palcos, blocos e programação dos cinco dias de folia estão no post sobre o carnaval de São Bento do Sapucaí.

Quem é o Zé Pereira

A tradição de bonecos gigantes veio da Europa e chegou ao Brasil com os portugueses, primeiro em procissões e festas religiosas. Em São Bento do Sapucaí, segundo a página da Prefeitura sobre o Zé Pereira, os bonecões aparecem no início do século XX, poucos anos depois da fundação da cidade. A Prefeitura defende que isso é anterior aos bonecos de Olinda, de 1931.

O nome junta duas referências. Uma é o fundador da cidade, o Tenente José Pereira Alves. A outra é o Zé Pereira dos batuques e da diversão de carnaval em Portugal no século XIX. A aparência lembra um coronel do interior: paletó, gravata, barba, bigode e cartola.

O tamanho impressiona de perto. Em janeiro de 2018, o G1 informou que o boneco principal pesava 32,5 quilos e passava de quatro metros de altura. Restaurações podem ter mudado esses números, mas eles dão a medida do esforço de quem veste o boneco durante três horas de cortejo.

A família que cresceu em volta dele

O Zé Pereira não sai sozinho há muito tempo. A Prefeitura conta que, nos anos 1940, os irmãos Antônio e João Cortez, os mesmos conhecidos por chegar ao topo da Pedra do Baú em 1940, fortaleceram a tradição dando ao boneco uma esposa, a Maria Pereira. Depois vieram os outros:

  1. Kiko, também chamado de Pereirinha (1994), e Mariinha (1996): os filhos do casal, feitos pelo artista plástico José Vicente da Silva. O Kiko original quebrou e ganhou um substituto.
  2. Tomé, Amélia, Dieguito e Zé Neguinho (2008): os últimos bonecos de José Vicente, que também fez os atuais Zé e Maria Pereira a partir de 1992.
  3. Pabllito (2019): feito pelo artista Renan Castro e inspirado num integrante do bloco, dez anos depois da geração anterior.

Nem todo personagem ficou. A Prefeitura registra passagens do Bumba meu Boi (1994), do Zé Foguinho e da Baiana (2006), do DJ (2011) e do Armandinho (2008), que na verdade era o Kiko antigo reaproveitado com barba e óculos.

Como os bonecos eram feitos

O jeito de fabricar mudou com as gerações, e a página da Prefeitura detalha as etapas:

  • Cabeças de barro: os bonecos mais antigos tinham a cabeça moldada em barro de olaria, pintada com tinta em pó misturada a clara de ovo, que dava brilho.
  • Cabeças de jornal: depois, as cabeças passaram a ser de jornal colado com grude de farinha de trigo, sobre uma estrutura de madeira em cruz que servia de guia para nariz, olhos e orelhas.
  • Corpo e mãos: o corpo era uma armação de jacá de bambu, e as mãos, de napa cheia de areia.
  • Isopor: em 1960, Bento Cortez, filho de Antônio, assumiu a confecção e os bonecos passaram a ser responsabilidade da Prefeitura. Em 1970 ele trocou o jornal pela escultura em isopor.

Esse processo artesanal é justamente um dos temas do Museu do Zé Pereira, descrito mais abaixo.

O cortejo diário no mês antes do carnaval

É o coração da tradição. Segundo a Prefeitura, a Família Zé Pereira arrasta crianças e adultos pelas ruas nos 30 dias que antecedem o carnaval. O horário se repete nas reportagens de anos diferentes: todos os dias, das 19h às 22h, segundo o G1 em 2018, a Catraca Livre em 2025 e o Viva em 2026.

O que se vê na rua, pelas fontes consultadas:

  • Música: o Viva conta que a bateria do bloco reúne músicos de todas as idades, num carnaval de marchinhas e fanfarras. Em 2018, o G1 registrou jovens da banda marcial tocando durante o cortejo.
  • Quem veste os bonecos: segundo o Viva, alguns bonecos são vestidos por crianças e jovens da cidade. O G1 ouviu em 2018 a mãe de um voluntário que ajudava no bloco.
  • Por onde passa: o G1 descreveu o cortejo percorrendo diversos pontos da cidade. O Viva indica como ponto de encontro o Museu do Zé Pereira, no Mercado Municipal, atrás da praça central.
  • Até quando: o cortejo não para quando a festa começa. Em 2018 ele seguiu até o último dia de carnaval, e em 2026 a programação divulgada pelo Guiacampos marcava a saída da Família Zé Pereira às 19h em todos os cinco dias, a partir do museu.

Horário e trajeto podem mudar em dias específicos. Em 2018, por exemplo, o G1 informou um dia com cortejo às 17h. Na véspera da visita, confira a agenda da Prefeitura.

O encontro de bonecos gigantes, em janeiro

Um dos momentos da temporada é o Encontro Regional de Bonecos Gigantes, quando a cidade recebe bonecões de municípios vizinhos. Segundo o Guiacampos, ele marca o início oficial da programação de carnaval. A 7ª edição foi no sábado, 17 de janeiro de 2026, a partir das 16h, na Praça Monsenhor Pedro do Vale Monteiro, com entrada gratuita. A Band Vale listou Sapucaí Mirim, Paraisópolis com o Sindicato da Cachaça, Monteiro Lobato e o Bloco do Búfalo, de São Bento do Sapucaí, com desfile, música e contato com o público.

Grupos, horário e praça valem para 2026. Até 16 de setembro de 2026, nenhuma das fontes consultadas anunciava a edição de 2027. Quando a data sair, ela entra no nosso calendário de eventos.

O Zé Pereira fora da temporada

Quem visita a cidade longe do carnaval ainda encontra a tradição:

  • Museu do Zé Pereira: fica no Mercado Municipal Carlos Antônio da Silva, como o chama a programação de 2026 do Guiacampos, na Avenida Doutor Rubião Júnior, 491, segundo a Prefeitura. Foi inaugurado em 25 de janeiro de 2020, e o material oficial de turismo da cidade descreve três salas de exposição sobre a história do Zé Pereira no Brasil e na cidade, o processo de fabricação dos bonecos e os personagens da família. O atendimento divulgado é aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h, pelo telefone (12) 3971-1255, mas os horários publicados variam, então ligue antes. Os outros museus do centro estão no post sobre os museus da cidade.
  • Datas comemorativas: a Prefeitura cita saídas do bloco além do carnaval, e o desfile do Zé Pereira aparece na programação do aniversário de São Bento do Sapucaí.
  • Fora da cidade: os bonecões já se apresentaram na Festa do Estado em Brasília, em cidades da região e, em 2017, na feira internacional World Travel Market Latin America, em São Paulo, segundo a Prefeitura.

Dicas para acompanhar o cortejo

  1. Considere uma noite do mês antes do carnaval. O cortejo das 19h é o mesmo dos dias de festa, sem os palcos e os shows em volta, o que agrada a quem vem só pelo Zé Pereira.
  2. Chegue um pouco antes da saída. Esperar perto do Mercado Municipal ajuda a ver os bonecos de perto antes de o bloco ganhar a rua.
  3. Vá a pé. O cortejo circula pelo centro, e a Rota das igrejas de São Bento do Sapucaí, feita a pé pelas igrejas da região central, ajuda a se localizar entre as praças.
  4. Leve as crianças. O bloco é de família, e o Viva descreve pousadas cheias de famílias com crianças esperando o Zé Pereira. Para o resto da viagem, veja o post sobre São Bento com crianças e idosos.
  5. Leve agasalho e capa de chuva. O cortejo é à noite, ao ar livre e na serra, em pleno verão chuvoso.
  6. Planeje a volta. O bloco termina por volta das 22h. Dormir na cidade evita estrada de serra no escuro, e quem vem de ônibus precisa checar o horário da última saída antes de escolher a noite do passeio.
  7. Respeite quem carrega os bonecos. São moradores e voluntários debaixo de uma estrutura pesada. Abra espaço na passagem e peça licença antes de puxar alguém para uma foto.

Para ver onde ficam a Praça Monsenhor Pedro, a Praça do Coreto e a Igreja dos Remédios antes de chegar, abra o mapa turístico.

Lugares citados

Os lugares deste texto, com endereço, horário e rota de carro.

Perguntas frequentes

Quem é o Zé Pereira de São Bento do Sapucaí?

É o boneco gigante que dá nome ao bloco mais tradicional da cidade, uma figura de coronel com paletó, gravata, barba, bigode e cartola. Segundo a Prefeitura, a tradição começou no início do século XX e o nome lembra o fundador, Tenente José Pereira Alves, e o Zé Pereira dos batuques de carnaval portugueses.

Quando o Zé Pereira sai às ruas?

Nos 30 dias que antecedem o carnaval, segundo a Prefeitura, e também em datas comemorativas. Reportagens de 2018, 2025 e 2026 citam o cortejo diário das 19h às 22h. Em 2026, durante os cinco dias de carnaval, a saída foi às 19h do Museu do Zé Pereira.

Quais bonecos fazem parte da Família Zé Pereira?

Zé Pereira e Maria Pereira, os filhos Kiko e Mariinha, o casal Tomé e Amélia, Dieguito, Zé Neguinho e, desde 2019, o Pabllito. A Prefeitura registra ainda personagens que passaram pela família, como Bumba meu Boi, Zé Foguinho, Baiana, Armandinho e DJ.

Dá para ver os bonecos fora da temporada do carnaval?

Sim, no Museu do Zé Pereira, no Mercado Municipal, inaugurado em 25 de janeiro de 2020. O atendimento divulgado é aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h, pelo telefone (12) 3971-1255. Os horários publicados variam, então ligue antes.

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